segunda-feira, 30 de abril de 2012

a chama do coração (ou da "relutância em estudar")

 (ilustração de Pablo Mayer, fonte: http://braboscomics.com)


«... e contudo instruí-me, sem temores nem castigos, só com o prestar de atenção entre as carícias das amas, entre os gracejos dos que se riam e as alegrias dos que folgavam. Aprendi, sem a pressão correcional de instigadores, impelido só pelo meu coração desejoso de dar à luz os seus sentimentos...»

Assim escreveu Santo Agostinho nas suas "Confissões", reflexões autobiográficas compostas no ano de 397, em cujas primeiras páginas, incidindo na infância, confessa a sua "relutância em estudar".

Refletindo sobre a sua aversão à língua grega - que os mestres o obrigaram a aprender - e, por contrário, o gosto que cedo desenvolveu pela língua latina - que lhe chegou docemente na narrativa das epopeias homéricas - Santo Agostinho confessa: «repetir aquelas primeiras letras era para mim uma cantilena fastidiosa; pelo contrário, encantava-me o vão espetáculo dum cavalo feito de madeira e cheio de guerreiros, o incêndio de Tróia e até a sombra de Creusa!».

Volvidos 1615 anos, a "história" continua a mesma e a conclusão de Santo Agostinho mantém-se pertinente: «para aprender, é mais eficaz uma curiosidade espontânea do que um constrangimento ameaçador».

Saibamos todos, na nossa missão de educar e ensinar (não só as crianças, mas todo aquele que se predispõe a aprender) manter, bem alta e acesa, a chama do coração!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O livro é uma porta aberta ao mundo. E uma viagem por nós dentro.

O livro é uma porta aberta ao mundo.
E uma viagem por nós dentro.



Aprendi a relatividade do tempo aí, na leitura, entre caracteres, palavras e pontuações, ínfimos legos de tinta negra que os "construtores de mundos" arquitectavam para mim, para minha descoberta e gáudio pessoal.

Bastava assentar os olhos nas primeiras linhas para me sentir num comboio com viagem garantida rumo ao desconhecido.E tal como um comboio, que primeiro e lentamente se afasta da estação, permitindo-nos um olhar demorado e todas as despedidas, para depois ganhar embalo até atingir a velocidade de cruzeiro, eu pegava em cada novo livro com alguma languidez, para depois sentir, sob os meus dedos, o instalado ritmo de cada virar de página, de folha, de capítulo, prosseguindo avidamente, sempre mergulhada na história, até sentir um qualquer chamamento do real.

Marcava a página, despedia-me dos meus heróis e desprendia-me do livro levando a história na minha cabeça. Era como um segredo que só eu sabia, que só eu seguia, que esperava paciente para se me revelar de novo e mais. Para mim, a leitura, era um mistério, um milagre, algo infinitamente belo, tecido em convenção da mais simples e despojada: o livro.

Dispostos nas prateleiras do quarto, depois da casa paterna, das casas dos amigos, das bibliotecas e livrarias, os livros tomaram-me um tempo de eleição, ao longo do qual preferi viajar sem sair do lugar e imaginar, imaginar todos aqueles mundos silenciosos que animavam a minha cinemateca privada. E com os quais aprendi a conversar. E por via dos quais aprendi a refletir.

Lembro-me da fase em que o livro passou a ser um objecto mais operável (já me sentia mais segura para isso), em que entrava e saía do texto para pensar, citando trechos, escrevendo as minhas próprias ideias... Comecei a sublinhar, a classificar os livros e os autores, compreendendo-lhes as biografias, os contextos, as pretensões e "falhas", os "recadinhos" implícitos para destinatários particulares...

Finalmente elevei-lhe o estatuto, revi os livros dados e as dedicatórias impressas e assinadas, comecei a comprá-los também para oferta, sempre com dedicatória, claro. Erigi a minha própria biblioteca, encostando os livros como soldados de batalhões, diversos mas complementares, na grande guerra contra a ignorância, contra o esquecimento. Dispus-me a retomar livros já lidos, confirmando o seu pulsar: eles falavam-me de forma diferente a cada altura em que os lia, pois respondiam-me ao que então procurava!

Nunca parou de crescer a minha admiração e prazer pelos livros. Hoje, sou talvez mais selecta e menos ávida: longe vai o tempo da jovem leitora que comia livros varrendo colecções, autores, temas... A vida não me permite tanta liberdade. Vou lendo vários livros simultaneamente, escolhendo a companhia de acordo com o meu estado de espírito. Mas sei que precisarei sempre de ler para respirar bem, para viver.

Rita Fouto, 23 de Abril de 2012

Dia Mundial do Livro: Passatempo «Avô, como era no teu tempo?» da DGLB


No Dia Mundial do Livro (23 de Abril), assinalamos o passatempo «Avô, como era no teu tempo?», promovido pela Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) e dirigido aos alunos dos 9 aos 13 anos.

O passatempo desafia os mais novos a recolher, junto de um avô, avó ou de outro idoso que com eles conviva, uma história de tempos antigos. O tema é livre, podendo estar relacionado com a escola, a culinária, o amor, os transportes, a casa ou outros temas.

Os trabalhos deverão ser enviados para a DGLB por email (dsl@dglb.pt) ou correio (Edifício da Torre do Tombo, Alameda da Universidade, 1649-010 Lisboa) até ao dia 31 de Julho de 2012.

O Júri selecionará os 5 melhores trabalhos e os vencedores receberão prémios em Livros!

Mais informações aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Dia Mundial da Terra 2012

No próximo domingo (22 de Abril) celebra-se o Dia Mundial da Terra. Este ano, a FAREDUCA adopta como sua mensagem para este dia a canção «Meu Planeta Azul», cuja versão a concurso no «Global Youth Music Contest» atualmente lidera o ranking da competição a nível mundial.

Além do "valor em si" desta canção, expressa na mensagem, na beleza e ternura da composição musical, dos arranjos e interpretações instrumentais e vocais e do próprio vídeo, esta canção comporta um "valor de exemplo" do quanto pode alcançar o trabalho colaborativo e solidário, quando se unem pessoas e instituições, intervenientes em várias áreas, para colocar o seu saber, a sua boa vontade e alegria ao serviço de um objetivo comum: levar o amor à arte, ao planeta e às crianças - que são o nosso futuro - a exprimir o futuro que queremos e que estará em discussão entre os Chefes de Estado dos 193 países-membros da ONU, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - a "Cimeira da Terra" ou "Rio+20" - que se realiza em Junho próximo na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.


Com esta frase, que integra a letra da canção, adoptamos uma imagem celebrativa desta égide, desta canção e iniciativa, aproveitando a ocasião para reforçar o nosso apelo ao voto nas plataformas nacional (aqui, até 30 de Abril) e mundial (aqui, até 18 de Maio).

Desafiamos todos a colocá-la como imagem de perfil no Facebook durante o próximo domingo, Dia Mundial da Terra!