quarta-feira, 14 de março de 2018

(Os Dias da Terra #3) 24.Mar no CIM - A Biologia não é um Bicho-de-Sete-Cabeças

 


OS DIAS DA TERRA iniciaram no sábado 27 de janeiro no CIM (Centro de Interpretação de Monsanto), bem no coração do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.
 
Partindo de uma ideia de Álvaro Fonseca, a que se juntou a FAREDUCA e a CML (e vários parceiros), propusémo-nos respirar o verde, comungando deste ciclo formativo e vivencial (certificado pelas entidades organizadoras) dedicado ao bem-estar e à sustentabilidade - e dirigido aos colaboradores e públicos das entidades envolvidas, profissionais das diferentes áreas e público geral/ famílias, com propostas para todas as faixas etárias.

OS DIAS DA TERRA realizam-se de janeiro a junho de 2018, mensalmente, a um sábado, consistindo em conversas participativas para jovens e adultos e oficinas criativas para crianças, incluindo ainda um almoço de convívio entre todos, tarde de 'networking' (para o EARTHfest'2018) e fruição em bem-estar (com uma aula 'Yoga, Vida e Natureza' para crianças e adultos, com a FPY). Uma proposta irrecusável para um dia em cheio (e em comunidade), gratuita (exceto o almoço) mas de inscrição obrigatória (podendo participar em apenas algumas atividades).



 

 Dia # 3
A Biologia não é um Bicho-de-Sete-Cabeças


PROGRAMA:
 
10h - Receção aos participantes
 
10h30 - Conversa participativa "A Biologia não é um Bicho-de-Sete-Cabeças”
para jovens e adultos
Conversas participativas (formato 'world café'), com Álvaro Fonseca e Mariana Mantas.
 
10h30 - Oficina Criativa "Sou um Bicho-de-Sete-Cabeças" para crianças dos 6 aos 12 anos
Oficina de co-criação plástica a partir de diferentes materiais, com Florbela Santos, Rita Fouto e Cláudia Freches.
 
12h30 - Momento coletivo
Apresentação dos trabalhos produzidos pelas crianças na oficina criativa.
 
13h30 - Almoço Vegetariano
Opcional, inscrição obrigatória, custo de 8 €/ 4 € crianças, menu: sopa/ salada + prato + bebida quente.
Por Salsa em Festa/ Irene Altieri.
 
15h30 - Sessão de preparação do EARTHfest'2018
Programa, atividades e parcerias.
Com as entidades organizadoras e parceiras. Aberta ao público em geral.
 
15h30 - Aula de Yoga com a Federação Portuguesa de Yoga
Aula para adultos e aula para crianças.
 
17h00 - Fim da atividade


 
Balanço e pedido de comentários:


Na manhã do dia 24 Março decorreram no CIM as atividades planeadas:

- A conversa participativa a partir do tema ‘A biologia não é um bicho-de-sete-cabeças’, que adoptou um formato inspirado na metodologia ‘world café’ e teve a participação de 10 pessoas (para além dos facilitadores);

- A oficina criativa de elaboração de ‘bichos-de-sete-cabeças’ a partir de diferentes materiais, que teve a participação de 9 crianças, para além das facilitadoras; e

- O momento coletivo de apresentação dos trabalhos feitos pelas crianças.


Síntese da conversa participativa:

Os participantes na conversa participativa dividiram-se por duas mesas, que trabalharam dois dos temas propostos a partir de duas perguntas: ‘Conservação da natureza: sim ou não?’ (tema 1), facilitada 
por Mariana Mantas; e ‘O homem (ainda) é natural?’ (tema 2), facilitada por Álvaro Fonseca.

As conversas decorreram separadamente durante cerca de uma hora e foram estimuladas pelo visionamento de vídeos curtos:


 - Tema 1: ‘Silent Forest Campaign’:
https://youtu.be/Qmwmxg7Q5hQ; ‘De depredadores a heroes’: https://drive.google.com/file/d/1j-cpAnBJy-YAeKobttN9tc1d8dBLJbmy/view; e

 - Tema 2: ‘Mãe-Natureza’ (da série 'Nature is speaking': https://www.conservation.org/nature-is-speaking/): https://www.conservation.org/nature-is-speaking/Pages/portuguese.aspx?ytVideoId=Uq6brcVVh6Y&autoplay=true; ‘We miss you’: http://www.wemissyou.de/

Na parte final, um relator de cada mesa (Rui Dinis, tema 1; Francisco Pinheiro, tema 2) apresentou a todos os participantes um resumo dos trabalhos e das principais ideias que emergiram durante as conversas.

 As fotos abaixo ilustram os apontamentos registados durante as conversas nas folhas disponíveis nas mesas:

 





Em relação ao tema 1, a partir da pergunta inicial surgiram duas perguntas adicionais que serviram de mote à discussão que teve lugar: se o Homem terá uma visão sistémica e se deverá intervir e como. A partir dos vídeos e da discussão que se gerou parece ter sido consensual que existem múltiplas formas de actuar que podem ser válidas, desde preservar espécies individuais a preservar habitats ou ecossistemas. O que parece ser mais importante é encontrar um equilíbrio sensato entre a sustentabilidade e a exequibilidade das medidas a tomar, não se deixando levar pela manipulação ou pelo ‘lavar de consciências’.
 
 
 
 
Na discussão do tema 2, surgiram vários tópicos. A dificuldade em decidir o que é ou não natural na actividade humana; as diferentes perspectivas históricas e culturais sobre a natureza que levaram a diferentes atitudes ao longo do tempo e em diferentes culturas; a dificuldade em conciliar a nossa fragilidade e o instinto de sobrevivência com a tendência para deixar obra/marcas e as pulsões egoístas e destruidoras; a importância de mudar o paradigma do dominador e explorador da natureza, para um paradigma de cuidador e de co-habitante. 
 



Entre os aspectos comuns aos dois temas, destacamos:
 
- Por um lado, a ideia de que os seres humanos têm um impacto determinante nos sistemas naturais e podem desempenhar um papel importante na sua gestão, mas que essa intervenção depende duma visão sistémica que nem sempre está presente. Aquele papel está também dependente duma noção clara de que fazemos parte da natureza, embora não seja muitas vezes evidente nem consensual qual a diferença entre o que é ‘natural’ e o que é ‘artificial’; e
 
- Por outro lado, embora seja desejável que a biologia não seja um ‘bicho-de-sete-cabeças’, ficou muito clara em ambos os temas a dificuldade em conseguir tomar decisões e ter uma posição definitiva em questões de grande complexidade e delicadeza. Ficou também muito evidente para todos a importância de envolver as pessoas na discussão destes temas para os tornar mais visíveis para toda a sociedade que deve tomar um papel mais activo, quer nos debates, quer nas tomadas de decisão. A visão ecossistémica, que era um dos temas centrais do filme ‘Mindwalk’ que serviu de inspiração à sessão anterior (24 Fev), irá aliás surgir novamente na próxima sessão do dia 21 Abril, que terá como tema ‘Está tudo ligado’.

 
Síntese da Oficina Criativa:
 
Os participantes da oficina iniciaram a atividade com um passeio na zona exterior do CIM, observando plantas e animais presentes na biodiversidade do centro e do parque florestal de monsanto. A partir dessa observação, foram convidados, já no espaço interior do CIM (sala de ateliers), a identificar esses (e outros) espécimes da biologia local, fazendo corresponder sombras a figuras de plantas e animais (entre os quais o famoso esquilo, imagem de marca do Parque) num painel identificativo. Falou-se então, e a propósito, do que era a biologia e se ela era (ou não) um 'bicho-de-sete-cabeças'. Para alguns já não; para outros, ainda um bocadinho.



Os participantes foram, então, desafiados a iniciar a sua construção criativa de 'bichos-de-sete-cabeças', a partir de diversos materiais disponíveis: paus, pinhas, plantas secas; e rolos e embalagens de papel-cartão; sendo estes montáveis por cola, fios, tachas; e decoráveis com lápis de cor, de cera, canetas de feltro e tintas de água.


 
No final, os bichos-de-sete-cabeça foram apresentados aos adultos, sendo que cada 'artista-criador' explicou que bicho era aquele, como se chamava e que hábitos/ comportamentos tinha. Alguns bem surpreendentes, todos muito curiosos e vivos.
 


Os adultos congratularam as crianças e jovens pelas suas criações - e todos celebraram o fecho de mais um d'Os Dias da Terra, na convicção de que a biologia ali se aproximou um pouco mais de cada um, como algo belo e que vale a pena descobrir (e preservar) - pois afinal é fácil dialogar com os 'bichos-de-sete-cabeças'... que trazemos dentro.

Balanço pela organização:

Nesta 3ª sessão d'Os Dias da Terra participaram 10 adultos e 9 crianças - e uma equipa de 5 colaboradores voluntários. Foram recebidos 44 € de donativos e gastos 46 € na cobertura de despesas.
 
Quanto a nós, o balanço desta 3ª sessão foi especialmente positivo, na tranquilidade com que as atividades decorreram e no profícuo resultado das duas respetivas dinâmicas. Faltará ainda, quem sabe, adicionar a apresentação das conclusões das conversas participativas aos participantes da oficina - numa linguagem simples, clara, assessível, alargando ainda mais o diálogo intergeracional desta iniciativa.


Pedido de envio de fotos:

Solicitamos a quem tenha tirado fotografias das atividades o seu envio por e-mail para fareduca.diasdaterra@gmail.com, de modo a poderem ser partilhadas neste post, no qual disponibilizamos algumas das fotos que fizémos.


Pedido de comentários:

Agradecemos a todos os que participaram o envio de opiniões, ideias, sentimentos, respondendo aos tópicos que vos fizerem sentido (usando a secção de comentários no final do post):

1. Aspectos positivos:
2. Aspectos que podiam ser melhorados:
3. Escolha dos textos:
4. Tema da oficina:
5. Comentários adicionais e/ou sugestões: 

As suas respostas são importantes para o planeamento das próximas sessões deste ciclo.

Gratos pelo vosso envolvimento e participação,

Saudações cordiais,


Álvaro Fonseca, Rita Fouto, Cláudia Freches

 

segunda-feira, 12 de março de 2018

(Comunidade #3) 17.Mar na SerVivo, em Palmela

 

INFORMAÇÕES GERAIS

O 3º encontro de partilha e(m) comunidade é já no próximo sábado 17 de março e realizar-se-á no espaço da SerVivo, em Vale de Barris, Palmela.
Neste dia, iremos realizar uma manhã de trabalho-aprendizagem, iniciando com um passeio de reconhecimento e identificação de plantas, ao longo do qual iremos conversar sobre a sua importância e utilização, aproveitando para recolher algumas plantas comestíveis para os coelhos da SerVivo - e a salada do almoço. Depois disso, iremos realizar trabalho voluntário na horta/ jardim de permacultura da SerVivo, aprendendo e exercitando as atividades de semear, transplantar e mondar. Segue-se o almoço, partilhado com os contributos de todos e uma tarde de conversa sobre "o que é isto de ser (e viver) em comunidade".
 
PROGRAMA

9:30 - Chegada e Briefing
 
10:00 - Passeio de reconhecimento/ identificação, conversa e apanha de plantas
 
11:00 - Trabalho voluntário na horta/ jardim de permacultura da SerVivo - e para as crianças, também de alimentação, limpeza e interação com os coelhos da SerVivo.
 
13:00 - Fim da manhã de trabalho voluntário
 
13:30 - Almoço
 
15:00 - Conversa sobre "Comunidade" - e para as crianças, Passeio Pedestre na Floresta.
 
18:00 - Fim da conversa e da programação do dia

 
Importante trazer:
  • Roupa confortável
  • Água
  • Contributos para o almoço (já cozinhados ou a cozinhar "ao momento")
 
Sobre a conversa - a conversa irá incluir:

  • Uma síntese da conversa do 2º encontro (17.Fev, no Centro Subud de Bucelas);
  • A apresentação do projeto da SerVivo, bem como de outras comunidades próximas e/ou na "rede" de conhecimento e experiência dos intervenientes e participantes da conversa; e
  • A continuação da reflexão/ debate em curso com este ciclo e com os contributos de todos.
 
ALOJAMENTO
 
Na opção de ida na véspera (sexta-feira, 16 de março) e/ou prolongamento da estadia até domingo, poderão pernoitar na SerVivo.
Para saber mais informações agradecemos o contacto direto com a SerVivo através do e-mail servivo.terra@gmail.com ou tmv 915812454.

INSCRIÇÃO/ CONFIRMAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO E PRESENÇA:
 
Por questões logísticas e de organização, pedimos, se possível, a confirmação da vossa participação e presença  para fareduca.geral@gmail.com ou tmv 969393039.

Para saber mais sobre o nosso projeto e(m) partilha COMUNIDADE, clique aqui.

Recomendamos vivamente a todos a participação nesta iniciativa, como excelente forma de, em família, entre amigos e em comunidade, ajudar, aprender, conhecer novos locais e pessoas, conversar/ discutir/ refletir em conjunto e lançar as bases deste nosso 'espaço' em Comunidade :)
 

sábado, 10 de março de 2018

Para que serve a educação?

 
Em 1990, o professor de ciências do ambiente e escritor norte-americano David W. Orr foi convidado para proferir um discurso de graduação no 'Arkansas College'.
 
O texto que escreveu tinha por título 'What is education for?' e foi publicado em 1991, tendo sido largamente divulgado pelo seu conteúdo inspirado e inspirador, constituindo mais tarde o primeiro capítulo do seu livro ‘Earth in Mind: On Education, Environment, and the Human Prospect’, publicado em 1994.
 
Nesse texto, que se mantém actual e pertinente e que tinha como subtítulo 'Six myths about the foundations of modern education, and six new principles to replace them', o autor faz um diagnóstico das limitações e consequências nefastas do modelo educativo convencional e propõe colocar a sustentabilidade como pilar central duma educação que promova o real e duradouro bem-estar das comunidades e dos ecossistemas dos quais dependem.
 
O texto está repleto de asserções lúcidas e sensatas sobre o que devia (e pode) ser uma educação apoiada numa visão de sociedades que se baseiem no cuidado dos seus e dos bens comuns. Seguem alguns exemplos:

(…) a educação não é o garante da decência, prudência ou sabedoria.

(…) o valor da educação deve passar a ser medido pelos padrões da decência e da sobrevivência humanas…

O avanço do conhecimento carrega sempre consigo o aumento de alguma forma de ignorância.

Faz mais sentido sermos nós a nos ajustarmos a um planeta finito, do que forçarmos o planeta ajustar-se aos nossos desejos infinitos.

(…) ainda não temos uma ciência do cuidado da terra como preconizado por Aldo Leopold…

(…) é possível que estejamos a tornar-nos mais ignorantes sobre as coisas que temos de fazer para viver bem e sustentavelmente na Terra.

(…) produzimos rotineiramente economistas que carecem dos mais rudimentares conhecimentos de ecologia.

(…) o planeta não precisa de mais pessoas ‘bem sucedidas’, mas precisa desesperadamente de mais pacifistas, cuidadores, reabilitadores, contadores de histórias e amadores de todos as formas e feitios. (…) Precisa de pessoas com coragem moral, que desejem juntar-se à luta para tornar o mundo mais habitável e humano.

(…) O comunismo falhou porque produziu muito pouco a um preço muito alto. Mas o capitalismo também falhou porque produz muito, reparte muito pouco e a um custo muito alto para os nossos filhos e netos.

(…) toda educação é educação ambiental.

(…) Confundimos frequentemente meios com fins, pensando que as metas da educação são enfiar dentro da mente dos estudantes todo o tipo de factos, técnicas, métodos e informações, sem ter em conta como esses conhecimentos serão usados e a qual a sua finalidade.

(…) o conhecimento acarreta consigo a responsabilidade de saber se está a ser bem usado no mundo. (…) O conhecimento de como fazer coisas incomensuráveis e arriscadas excedeu em muito a nossa capacidade de usá-lo responsavelmente.

(…) não podemos dizer que sabemos algo até entendermos os efeitos desse conhecimento nas pessoas e nas suas comunidades.

Os estudantes aprendem, sem que alguém directamente lhes diga, que eles são incapazes de superar o terrível hiato entre ideais e realidade. O que é desesperadamente necessário são docentes e administradores que se apresentem como modelos de integridade, de preocupação, de consideração, e instituições que sejam capazes de incorporar ideais, cabal e plenamente, em todas as suas actividades.

(…) A arquitectura do campus académico é uma pedagogia cristalizada que frequentemente reforça a passividade, o monólogo, a dominação e a artificialidade.
 
O texto original poder ser lido aqui e uma tradução portuguesa pode ser encontrada aqui.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

(Comunidade #2) Como foi

O segundo encontro em Comunidade (17 de fevereiro de 2018, em Bucelas) deu-se entre a manhã de passeio na Quinta do Boição do Meio, almoço de convívio na Albergaria da Quinta e tarde de conversa no mesmo local.

A chuva matinal impediu os trabalhos voluntários previstos, mas de capas e galochas ainda foi possível fazer um passeio pela Quinta e conhecer os seus trilhos, hortas, edifícios, moradores e alguma flora e fauna local.



A Quinta do Boição do Meio - Centro Subud de Bucelas

A Quinta do Boição do Meio foi adquirida pela Associação Subud de Portugal em 1974, com o propósito de ali se instalar um Centro Internacional Subud.

Desde logo, um plano foi traçado para o desenvolvimento dos seis hectares de terreno. Nasce, assim, o CITIS I - Centro Internacional de Trabalho e Integração Social (I porque seria o primeiro num projeto a replicar).


O Projeto de Desenvolvimento da CITIS I pelo Arq.º Raul Martins/ Gabinete Setia Bakti

Entusiasmados com o projeto, os membros da ASP logo começam a reabilitar as infraestruturas existentes, construindo também novas, como bungalows de madeira onde viriam a residir algumas famílias.
 
 
O edifício da Albergaria aquando da sua "estreia", em 1986
 
Mercê de circunstâncias várias, o projeto não evolui como previsto e de algum modo estagna, sendo tentativamente retomado em várias épocas, em iniciativas que vão mantendo a dinâmica e as infraestruturas existentes.
 
A Associação vai aceitando esta 'justa' dimensão do projeto - e propósito do lugar - que parece não querer receber grandes alterações e massivas presenças humanas. O Centro Internacional Subud de Bucelas persiste, na calma resiliência do "simples" Estar em natureza - e daqueles que assim o procuram.
 
 
Estar e Viver em Comunidade - continuando a conversa...
 
Na conversa que se proporcionou pós-almoço, avançou-se um pouco mais rente à "comunidade".
 
«O que é isso de Estar e Viver em comunidade?»
 
O que é uma Comunidade?
 
Em primeiro lugar, abordou-se o próprio conceito de "Comunidade": geográfica/ territorial ou "de interesses"; a primeira, cultivada intensamente (e intencionalmente), nas inter-relações super próximas da vivência quotidiana; a segunda, de outras formas nutrida, em processos e fluxos de comunicação e interação bem mais "regulados" - porque distantes e pontuais/ "pendulares". Ficou reforçado o sentido territorial da visionada Comunidade.

 
Quais as fronteiras da Comunidade?
 
Depois, abordou-se a questão das fronteiras da comunidade e a sua "auto-suficiência" (alimentar, energética, hídrica). Observou-se que a auto-suficiência vai diminuindo à medida que caminhamos para um contexto mais demarcadamente urbano - ou seja, à medida que a Comunidade se integra numa comunidade já existente. Consumir da produção local (desde que seja boa) pode ser mais sustentável do que ter uma produção própria, conjugando benefícios ecológicos, económicos e sociais (relação com a comunidade local).
 
Daqui partimos para a questão "E será a Cidade uma Comunidade?". Desejavelmente sim e há quem esteja com esse foco de visão e ação - mas cada vez é mais fácil não conhecer a comunidade, viver o quotidiano sem aflorar a vizinhança e tudo aquilo de que podemos dispôr só ali no nosso bairro. Sugestões foram lançadas no "combate" a este "autismo", como o culto dos trilhos, caminhos pedestres na cidade, para conhecer o bairro, a freguesia, os locais e as pessoas.

 
Que visão temos da Comunidade?

Quando questionados individualmente, os participantes variaram muito nas suas visões de Comunidade. É saudável e útil que assim seja:
 
  • Uma aldeia abandonada a repovoar por amigos, assegurando os 4 T's Terra, Trabalho, Teto e Tempo;
  • Um cohousing na cidade, off the grid, criativo e rentável, que resiste à bolha e "paga para ver", sedimentando laços afetivos e de cooperação "de quintal";
  • Uma ética de Estar, Ser e Fazer - válida para a grande Comunidade da Terra, os biomas geoeconómicos, os ecossistemas políticos e socioculturais e os habitats locais (cidades, vilas, aldeias, lugares);
  • Um grupo de pessoas que partilha uma visão e um conjunto de valores, que nutre a comunicação (criativa, positiva, assertiva, não violenta) e o respeito pelo outro e que se "instala" num território para construir em confiança;
  • Uma vasta propriedade, relativamente longe dos centros urbanos, com espaço agrícola, agroflorestal residencial e de serviços, com foco nas novas gerações e na sua educação sustentável.
Houve risos, identificação, surpresa. Cada pessoa é um mundo e nunca sabemos o que está para lá do que vamos percebendo e intuindo. É certo que basta perguntar. Também é certo que as perguntas (e as respostas) trazem mais responsabilidade.
 
O que fazemos agora, com todas estas Comunidades?
 
É o que iremos descobrir na próxima sessão, dia 17 de Março.
 
Para saber mais sobre o "Comunidade - projeto (em) partilha" clique aqui.